Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável.

Absurdo

Apetece-me falar de Absurdo e, portanto, é do Absurdo que vos vou falar. Toda a gente sabe o conceito desta palavra. É do conhecimento comum que algo Absurdo é disparatado, contrário à razão, desprovido de propósito e/ou de sensatez. É um paradoxo, sem nexo ou lógica. Todos identificamos situações Absurdas no dia a dia. Por exemplo é completamente Absurdo perguntar porque queremos ser felizes! Quem quer ou faz questão de viver uma vida miserável? Claro que queremos ser felizes! Qualquer situação que nos deixe infelizes traz dor, desconforto, tristeza. Diminui a nossa autoconfiança o amor próprio. Por isso é no mínimo insensato perguntarem-nos porque queremos ser felizes. E a felicidade é tão tranquila e confortável…


O Absurdo Precede A Lógica

É de facto um contrassenso dizer-se que todas as pessoas são igualmente maliciosas, quando sabemos que há quem seja até diabólica! E digam-me, é despropositado amar alguém com quem nunca se falou ou com quem nunca se encontrou pessoalmente? Será um disparate que cada vez mais vivamos numa sociedade que não prioriza as suas crianças e idosos? É ou não contraditório que se diga pretender uma relação amorosa para a vida, quando se mostram atitudes de quem se interessa apenas por relações furtivas e libidinosas? Se me pedissem para escolher o cumulo do Absurdo garanto-vos que iria ter muitas dificuldades em responder. Considero que hoje se vivem demasiados despropósitos para conseguir perceber qual deles ganharia o prémio. Sou ainda da opinião que o Absurdo precede a lógica. E porque penso assim?


Repetir Comportamentos Torna-os Aceitáveis

É que “Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável” (Erasmo de Rotterdam). Se algo completamente disparatado for repetido com frequência e regularidade, vai tornar-se aceitável perante uma sociedade. Se é Absurdo amar alguém que nunca se viu ou com quem nunca se falou? Não, não é. Hoje há os amores online, há umas décadas atrás havia os casamentos por procuração. Se é mesmo amor? Isso já são outros quinhentos que não interessa desenvolver aqui. Mas o certo é que do irracional passou-se ao normal e mesmo mais usual, diria. Repetiram-se e repetem-se tantas vezes estes acontecimentos que já é totalmente aceite pela sociedade e até considerado natural.


Violência Doméstica Aceitável?

Tem-se falado muito sobre a violência doméstica. Já aparecem outdoors e outras campanhas a sensibilizar para este grande problema. E isto porque ao longo de gerações o Absurdo da violência doméstica foi aceitável no seio familiar. E acompanhou todas as gerações vindouras. Como algo aceitável. E neste momento temos uma percentagem recorde de violência doméstica em adolescentes. Inaceitável! Mas foi toda uma sociedade que transformou este flagelo em algo admissível. O Homem, como animal de hábitos, é aquilo que faz repetidamente, roce ou não o Absurdo.

Há que repensar o que consideramos aceitável. Mudar mentalidades é muito mais complexo do que aceitar o inaceitável, mas é uma necessidade urgente.

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Comments

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  2. Claudia - Mulher XL

    Toda a vida é um absurdo! Damos tanta importância a tanta coisa que não faz sentido. É ilógico e absurdo, tudo. Não temos nada mais do que o momento do Agora e continuamos a viver no amanhã.
    Excelente texto!

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  3. Andreia Morais

    É como aquela velha história: de tantas vezes que contamos uma mentira, ela passa a ser uma verdade os nossos olhos. Mas não faz sentido, não podemos cair nesta displicência de aceitar só porque é prática recorrente. Porém, focaste um pormenor importante (vários, na realidade, mas tenho que destacar este): “Mudar mentalidades é muito mais complexo do que aceitar o inaceitável”, enquanto essa mudança não acontecer, o absurdo continuará a ganhar lugar.

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  4. Sara Canhoto

    Só tu para escreveres tão bem sobre assuntos tão sérios e importantes! Concordo com tudo o que tu dizes e digo-te sinceramente que tenho medo do que se possa tornar aceitável no futuro. Olha veio-me à cabeça o Trump, enfim!

    Um grande beijinho*

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