Futurismo – Movimentos Artísticos do Século XX

O Futurismo

O Futurismo – movimento artístico do século XX é o post que Minorkisses traz para o projeto ACMA – A Cultura Mora Aqui, cujo tema para o mês de setembro é o  Futuro. Com o aparecimento da espécie humana surgiram as primeiras manifestações artísticas.

“O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades” (in Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, Almada Negreiros)

Desde a pré-história até aos dias de hoje que a arte tem um papel preponderante em dar-nos a conhecer a História da humanidade, estando as duas profundamente interligadas.

Adolf Loos, Horner House, Vienna, Austria, 1912, futurismo
            Adolf Loos, Horner House, Vienna, Austria, 1912

Os movimentos artísticos sempre espelharam a sociedade da altura. Tendo em conta o desenvolvimento industrial e tecnológico no início no século XX, nasce o Futurismo com o manifesto mundial publicado no Le Fígaro de Paris, em fevereiro de 1909, onde o poeta italiano Marinetti, afirma:

 “a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia..


Vitória de Samotrácia
          Vitória de Samotrácia

O Futurismo acontece numa época moderna e industrial

Os futuristas são adeptos do dinamismo, da velocidade, do movimento e de captar a forma plástica dos movimentos. É uma época moderna e industrial, na qual se desvaloriza a tradição e o moralismo. Defendem que as artes plásticas devem sim, refletir o mundo moderno. Usam cores vivas e contrastantes nas pinturas, imagens sobrepostas, traços e pequenas deformações para passar a ideia de movimento e dinamismo. Nas artes escritas, lançam a propaganda como principal forma de comunicação. Usam as onomatopeias e frases fragmentadas para passar a ideia de velocidade nas poesias. Aparece uma arquitetura urbana, industrial, funcionalista e racional, pela extinção da decoração. Usam-se modernas tecnologias construtivas e novos materiais (ferro, vidro e concreto armado).


Futurismo em Portugal

O Futurismo foi trazido para Portugal por intelectuais que se encontravam em Paris: Mário de Sá-Carneiro e o pintor Guilherme Santa-Rita. Mais afincadamente, foram os poetas que surgiram com composições poéticas de cariz futurista, em particular, a “Ode Triunfal” e a “Ode Marítima”, de Fernando Pessoa; “Manucure”, de Mário de Sá-Carneiro e o “Manifesto Anti-Dantas”, de Almada Negreiros.

Santa-Rita, Perspetiva dinâmica de um quarto ao acordar futurismo
          Santa-Rita, Perspetiva dinâmica de um quarto ao acordar

Em abril de 1917, seria realizado um espetáculo “futurista”, desenvolvido por Almada Negreiros e Santa-Rita. Primeiro iria ler-se o seu “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” – onde declarava: “Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva. (…) É preciso criar a pátria portuguesa do século XX. O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades”.


“Manifesto Anti-Dantas”

Surgiria a Revista “Portugal Futurista”, que viria a ser apreendida pela polícia e marcaria o final do Futurismo em Portugal (durou cerca de 6 meses).

Desta curta vida do Futurismo português, permaneceram profundas influências, nomeadamente, Almada Negreiros (poeta, dramaturgo, romancista, caricaturista, coreógrafo e futurista), que se socorria no “escândalo” e era, consequentemente, por muitos considerado “louco”. O seu melhor exemplo de Futurismo e suposta loucura seria o “Manifesto Anti-Dantas”, que podem ouvir,

aqui: http://www.triplov.com/almada_negreiros/anti_dantas.htm

ou ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Izz4aoZ1Bsw .


 A minha interpretação do Futurismo

Aquilo que mais aprecio no Futurismo é o facto de ser um conjunto de homens preparados para crescer, para acompanhar o crescimento a que assistiam, sendo mais austeros e racionais, deixando o sentimental e o inocente da Arte Naif para trás. Aprecio a vontade de mudança, mas não concordo com uma linha clara e repentina que separaria o fim do tradicional e o inicio da era industrial, perdendo toda uma tradição do que somos hoje, que fará parte da pessoa que seremos amanhã.


 Amantes do perigo, da rebelião, da agressividade

Coloco-me no lugar deles e compreendo que ver toda uma era de industrialização a nascer seria efetivamente um deslumbramento. Algo muito maior do que hoje quando nasce algo digitalmente inovador. Naquela altura, os automóveis a combustão começavam a acumular-se nas ruas. Começava a produção em série de objetos e materiais e havia, naturalmente, um fascínio pela industrialização. Para os futuristas da altura, tudo isso era mais importante que uma obra de arte que, ainda hoje, admiramos como fazendo parte da História da humanidade. Mas os futuristas foram audazes, amantes do perigo, da coragem, da rebelião, da energia, da agressividade, ao mesmo tempo que pretendiam glorificar a guerra e destruir museus, bibliotecas, moralismo e feminismo.

Estes pobres futuristas ficaram tão cegos com a velocidade que deixaram de ver a parte humana onde uma sociedade se firma. Ainda hoje parece haver na sociedade muitos futuristas, gente determinada a olhar apenas em frente esquecendo-se que para crescer temos muito a aprender com o que ficou lá atrás!

Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui
 ACMA

Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui – ou ACMA, para abreviar – tenciona trazer a cultura de volta à internet com temas bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com. Aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no facebook e/ou ler a nossa revista digital.

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