Quando as pessoas morrem em nós

Ser Socialmente Seletiva

Há pessoas que deixam de existir dentro de nós. E ainda bem. Eu já matei muita gente e nem funeral lhes fiz. E elas continuam vivas e de perfeita saúde (penso eu). Mas não na minha vida. Ser Socialmente Seletiva faz parte de mim. Não é por acaso que se diz que, quando a vida nos cai em cima, nos traz sempre novas oportunidades de crescimento e aprendizagem. Traz mesmo. E eu aproveito cada uma das lições, memorizo e aplico.

Sempre fui educada de uma forma que me levou a acreditar que contrariar pessoas era uma grande falta de respeito. Felizmente possuo um cérebro trabalhador e em perfeito funcionamento. Foi o gatilho necessário a que eu começasse a pensar por mim desde cedo. Já lá vai o tempo em que engolir sapos fazia parte do meu dia-a-dia. Há muito que estou perfeitamente à vontade em cuspi-los. Não tenho qualquer vontade ou necessidade de entrar em conflito com quem quer que seja. No entanto, se alguém, que tenha de fazer parte da minha vida, me tentar dar um sapo a engolir, é certo e claro como água que vai ter a minha opinião à perna.


Ser Socialmente Seletiva – Critérios E Anatomia

Não faço distinções entre pessoas. Aqui o critério é mesmo ter de fazer parte da minha vida (embora alguns estejam aqui – Amizades Doentias). Há quem diga que tenho o coração perto da boca. Mas não é o caso. Já fiz alguns exames que me permitem afirmar que o meu coração se encontra precisamente onde deveria. Anatomicamente sou perfeita (para condizer com todo o resto de mim). A minha teoria é que tenho algum tipo de ligação cerebral direta à boca. E como este meu cérebro está em constante atividade, chego a equacionar a hipótese de sofrer de Síndrome do Pensamento Acelerado. E por isso me fui tornado Socialmente Seletiva.

Tenho ainda dificuldade em deixar coisas por dizer. Não sei se é medo de não voltar a ter oportunidade para o fazer, ou se é impulsionado pelo meu mau feito. Certo é que ouvir o que não concordo e calar não faz parte da minha maneira de ser. E porquê? Tenho a certeza absoluta que todos precisamos de ouvir versões diferentes da nossa, que temos como verdadeira. Por vezes estamos tão convictos de um determinado facto que teimamos em manter a nossa opinião. E às vezes (não tão poucas quanto isso) estamos simplesmente a ser parvos. Aprender nunca matou ninguém, mas a burrice já.


A Paz É A Maior Liberdade

Ser Socialmente Seletiva é uma característica minha, da qual muito me orgulho. E por isso sim, já morreu gente dentro de mim. Pessoas com as quais não me identifico. Pessoas que me trazem más vibrações. Pessoas que fazem de tudo para alcançar os seus próprios objetivos, independentemente de haver “vitima” dessa demanda. Pessoas que mantêm outros como amigos porque lhes dão jeito para alguma coisa. Pessoas que se mostram umas e depois se transformam noutras. Pessoas que por dá cá aquela palha, venha daí conflito. Pessoas que desrespeitam os valores que eu tenho mais em consideração. Pessoas que não me acrescentam em nada de bom, mas apenas me fazem perder tempo.

Viver de faz de conta foi no tempo das bonecas e princesas. Ser Socialmente Seletiva trouxe-me uma paz comigo mesma, uma tranquilidade de espírito formidáveis. Daquele tipo de paz que não se consegue quando se aturam atrocidades de gente cujo cérebro nunca se romperá. Ou então quando se aturam pessoas que dão alguma utilidade ao cérebro, mas desprovida de valores ou humanidade.

A paz connosco próprios, dá-nos liberdade e entidade. Perder liberdade para manter amigos ou gente próxima, mais ou menos tranquilos connosco, é a maior parvoíce que se pode cometer na vida. Prefiro, por isso, perder essas pessoas. Até porque estão a mais na minha vida. É indolor, gratuito e com resultados absolutamente prazerosos.


Como Recuperar Liberdade E Entidade A Ser Socialmente Seletiva

Como já venho dizendo neste post, para recuperar paz, liberdade e entidade é Ser Socialmente Seletiva. Não lamentem o que fica para trás, lamentem ter pessoas na vossa vida que vos retira vida. Que vos suga energia. Que vos arrasta para viverem longe do que o vosso potencial permite. Recuperem-se a vós próprios. Sejam os donos da vossa própria liberdade. Sejam comandantes na vossa identidade. Permitam ouvir as vossas próprias necessidades e desejos e vão atrás. Mesmo que isso signifique matar alguém dentro de vós no processo.

A nossa identidade traduz quem somos. E a voz dela fala? Conseguem ouvi-la ou estão demasiado ocupados com assuntos de caracacá que nem sequer vos pertencem? Façam uma análise ao vosso dia-a-dia. Quanto tempo perdem a fazer “favores”? Quantas vezes ficam angustiados por engolirem sapos? Quanto de vós dão aos outros? Há quem abuse da vossa educação ou generosidade? Sentem que não têm tempo para vós próprios?


Ser Socialmente Seletiva É Saber Viver

Reparem, é muito simples  encontrarmo-nos numa situação em que alguém tem alguma(s) destas características que provocam efeitos negativos em nós. Por isso é de máxima importância ficarem atentos. É que quando damos por ela, já andamos cansados, esgotados, revoltados e contrariados. Tudo provocado por algo que não nos “cai bem”. Talvez nem se consiga explicar no início… E fazer de conta que não nos incomoda, não vai resolver. E tudo isto pode ser muita coisa, mas felicidade, paz e saúde não é certamente. Simplesmente deixem de estar tanto tempo ao telefone, ou encurtem qualquer outro contacto que tenham com a pessoa. Devagar vão afastando-se e recuperando o ar que vos andava a faltar no peito. Acreditem que deixar morrer alguém em nós, é muito recompensador.

Ser Socialmente Seletiva é gostar de nós próprios e priorizarmo-nos na nossa própria vida. Matem quem não vos permitir isso.

 

Fotografia por Alexander Mils,  Unsplash

Comments

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  2. Andreia Morais

    É necessário sermos seletivos, caso contrário acabamos por permitir que pessoas tóxicas se envolvam na nossa vida e isso não nos faz bem. Não precisamos desse tipo de negatividade ao nosso lado!

    Mais uma excelente crónica 🙂

    Beijinhos*

    1. Post
      Author
      Minorka

      Sim,uma necessidades Andreia!
      Toxicidade já há que chegue no mundo! Agora ali mesmo ao nosso lado? Naaa, dispensa-se!
      Beijinhos!

  3. Claudia - Mulher XL

    Admito que sou evitadora de conflitos e por isso muitas vezes não digo o que me apetece precisamente para evitar o conflito. Mas quando sinto que alguém é tóxico, simplesmente afasto-me. Costumo dizer que não tenho inimigos. Se gosto da pessoa, dou-me com ela. Se não gosto, simplesmente não me dou. Nunca busco o conflito, se houver conflito é porque infelizmente ele vem até mim xD
    Sou muito socialmente selectiva. Conto pelos dedos de uma mão as pessoas com quem posso mesmo contar e em quem mesmo confio. Fora isso… Colegas, conhecidos, comigo tudo bem, dou-me bem, estou de boa, sou descontraída. Alguma energia começa a afectar-me? Sinto-me pesada só de estar ao pé dessa pessoa? Nem digo nada… só bye bye. 😛

    1. Post
      Author
      Minorka

      Ora e é o que fazes de melhor! A vida é demasiado boa para a estragar com malta que nos faz mal.
      Beijinhos Claudia!

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