“Podes tirar a pessoa da pobreza mas nunca poderás tirar a pobreza da pessoa.”

Sociedade Humanamente Pobre

Não surpreendo ninguém quando digo que vivemos numa Sociedade Humanamente Pobre. É certo e sabido que cada passo que poderíamos dar em frente, aproveitamos e andamos para trás. Chega a ser duvidoso que o objetivo seja mesmo ser mais e melhor. Afinal esta sociedade pretende avançar ou simplesmente não quer, nem tem a capacidade para evoluir? Tenho as minhas dúvidas.

A cada dia que passa, temos reunidas mais e melhores condições para conseguirmos ser mais capazes. Mais bem-estar, melhor vida. Mas não é, de todo, o que acontece. As pessoas pretendem manter-se rodeadas de preconceitos e agarradas ao passado do que avançar e fazer parte de um mundo mais rico. E isso tem muito que ver com egoísmos… É que “se eu estiver bem e tu não estiveres, fico ainda mais feliz”…


Sociedade Humanamente Pobre – a Medida em Valores Sociais

Numa Sociedade Humanamente Pobre há muita gente a viver no passado. Como se fosse esse o caminho para se ser rico, ou pelo menos ser mais rico do que os outros. Vivemos em feroz competição. E, como os neurónios nem sempre podem servir para o cálculo de diferenciação de riqueza e pobreza, escolhem-se os dígitos da conta bancária para o fazer. Nada mais errado.

A riqueza maior é em valores humanos, em capacidade e não em conta bancária. Essa serve apenas para diferenciar classes sociais. Mas não diferencia a verdadeira humanidade de uma sociedade.


Pobrezas Morais, Sociais e Existenciais

A Sociedade Humanamente Pobre está mais presente do que seria de esperar. Vive em cada pessoa que não detém os valores da vida e que desconhece os padrões humanos de convivência social.

A pobreza moral, social e existencial, ditam a Sociedade Humanamente Pobre em que nos inserimos. Viver sem verdade, sem justiça, sem liberdade, paz ou harmonia, é viver em pobreza moral, de espírito e de inteligência.

Existem pessoas que, mesmo com um elevado saldo bancário, são inegavelmente pobres e nunca serão ricas. São possuidores de mentes miseráveis que estão convictas que sem dinheiro nada lhes é possível. Acreditam que é a capacidade financeira que lhes permite tudo conseguirem e em que nada lhes é negado. No entanto, existem os possuidores de mentes brilhantes, sendo igualmente pobres em valores e humanidade.


Pobres de Humanismo

Como bem diz Mia Couto, “São demasiado pobres os nossos ricos”. E são-no de facto. Pobres de humanismo. Ricos em preconceito, descriminação e egoísmo. Os pobres em dinheiro são mais generosos que os ricos. São mais ricos em humanismo, em personalidade, em valores, em capacidades sociais. Mas os ricos fazem parte da Sociedade Humanamente Pobre.

Os dígitos da conta bancária apenas criam diferenciação de pensamentos entre ricos e pobres. O abismo entre diferentes classes sociais. Entre formas de pensar distintas e posturas totalmente opostas perante a sociedade. Quem será mais feliz? Deixo-vos com esta reflexão. Afinal, quem mais sofre? Quem tudo pode comprar ou quem é realmente capaz de se integrar humanamente numa sociedade?


Humanamente abastado

O humanismo pressupões a integração dos valores humanos. Valoriza o ser humano e a condição humana acima de tudo. E estaremos todos de acordo (pelo menos os possuidores de QI’s funcionais) que uma Sociedade Humanamente Pobre é moralmente repreensível. A generosidade, a compaixão e a preocupação em dar o devido valor os atributos e realizações humanas. Quanto a mim este humanismo não existe sem o respeito pelo mundo em que vivemos. Pela fauna, pela flora. Alguém que respeite todos os seres vivos, é alguém capaz de uma abastada humanidade. A forma como o Homem olha e trata tudo o que o envolve, é a maior prova de que efetivamente é rico ou pobre… Se rico, possui a riqueza humana que se pretende para esta sociedade. E só com o crescimento humano da sociedade poderemos falar em evolução. De outra forma ela não existirá.

Vivemos num mundo gasto em bom senso. Num mundo pobre. Onde um comportamento absurdo quando repetido se torna socialmente aceitável. E, em resultado disso, é como se diz por aí (desconheço o autor), “Podes tirar a pessoa da pobreza mas nunca poderás tirar a pobreza da pessoa.”

Comments

  1. Patrícia

    Muitos humanos sem humanidade nenhuma! Já dizia a Florbela “pobres dos ricos” ahahah… Este assunto que abordas é realmente tão verdade! Enfim.. A sociedade é mesmo assim… Mas acredito que fazemos a diferença é conseguimos equilibrar a balança!

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  2. Daniela Santos

    O dinheiro é um assunto que acaba sempre por vir à tona, e tal como a claudia diz o dinheiro pauta o mundo. Acho que quanto mais tempos mais pobre ficamos mentalmente, mais “podres e ocos”, começamos a perder-nos.
    Gostei bastante de ler este post

    Ps: ainda não me esqueci do texto, já o comecei a escrever, mas o tempo é pouco :l Assim que estiver pronto mando um mail 😀

    Beijinhos,
    DEZASSETE

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  3. Andreia Morais

    Infelizmente, há pessoas que só são mesmo ricas na conta bancária, porque naquilo que é mais importante são de uma pobreza aflitiva!
    Não podia concordar mais com a tua reflexão, minha querida. Tocas sempre nos aspetos fundamentais

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  4. Claudia - Mulher XL

    Excelente reflexão.
    Duas observações:

    1 – indubitavelmente, a riqueza não se mede pelo saldo da conta bancária. O sucesso também não. Somos ricos e bem sucedidos quando somos boas pessoas, quando vivemos em paz, quando somos acima de tudo felizes, sentimos que deixamos uma marca positiva, sentimos satisfação, enfim – cada pessoa terá a sua definição de felicidade e sucesso. Concordo a 200%. Ainda no sábado assisti a um discurso do empreendedor e investidor Tim Vieira. De entre as muitas coisas inspiradoras que ele disse, uma delas foi “o vosso maior objetivo enquanto empreendedores é ser feliz; não é o dinheiro; conheço tanta gente que ganhou tanto dinheiro e é miserável”. Sem dúvida que o dinheiro não dita o nosso humanismo.

    Agora o segundo ponto vai de certa forma contradizer o primeiro, mas também é verdade.

    2 – infelizmente, o dinheiro pauta o mundo, sim. Não é porque eu ou tu em particular, ou as pessoas em particular queiram que assim o seja, mas porque já nascemos numa sociedade assim. A verdade é que podemos ser as melhores e mais felizes pessoas do mundo, mas quando chegam os momentos de aperto, é o dinheiro que muitas vezes nos falta. É a diferença entre esperar em lista de espera no SNS para uma operação que dita a nossa sobrevivência e qualidade de vida, ou poder tratar logo do problema num privado. É a diferença entre, chegarmos à nossa velhice e termos uma boa reforma para estar numa boa casa de reposo, ou mal ter condições para comprar os medicamentos. É a diferença entre ter de trabalhar todos os dias imensas horas para pagar a próxima conta, ou não ter essa preocupação e ter as necessidades básicas suportadas para que possamos dar asas ao nosso desenvolvimento pessoal. Infelizmente, o mundo é assim, funciona assim e o dinheiro não divide as pessoas entre umas serem melhores que outras, mais felizes que outras, mas faz toda a diferença na qualidade de vida das pessoas, nas oportunidades que têm e, consequentemente, no percurso da sua vida.
    Sim, há pessoas pobres de espírito e ricas na carteira. Há pessoas que não têm acesso a fazer 3 refeições por dia, muitas nem a água potável, mas são felizes. Mas serão assim tão felizes? Como podemos realizar-nos pessoalmente e podermos ser humanistas, quando há fome, quando há miséria?

    É um mundo dicotómico e paradoxal em que, infelizmente, o dinheiro é rei.

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      Minorka

      Concordo plenamente contigo. Figa-se o que se disser o dinheiro comanda a vida. Ponto final.
      Mas que ele exista e que de uma forma saudável nos ajude a ser mais… humanos. Felizmente que há casos assim, eu por exemplo gostava de ser um desses casos, mas falta-me o dinheiro! ahaha!
      Obrigada pelo teu comentário! Beijinhos!

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