Tortura “a sério”

Tortura “a sério”

Tortura “a sério” e paguei! Sim, isso mesmo que leram.

Trago-vos um episódio da novela mais conhecida por “Vida de Minorka”, que passa no canal Minorkisses algumas vezes por semana.

Tenho vários episódios dignos de um Óscar, daqueles absurdamente incríveis e por isso resolvi trazer-vos um, dos mais recentes.

Tudo começou com a oferta de uma massagem relaxante fabulosa, daquelas com direito a música Chill Out, incensos, velas e toda a parafernália do zen. Delicioso! Saí de lá não a caminhar, mas a pisar algodão doce, uma sensação de leveza e relaxamento fantásticos! A única coisa que não fez disto tudo algo completa e irrefutavelmente perfeito, foi por ter sido uma menina e não um meninão a fazer a massagem. E ainda que a menina tenho mesmo muita aptidão para aquilo, algo me diz que um meninão tornava a coisa mais interessante…


Tortura “a sério” para realçar as imperfeições

Mas, não me querendo desviar do assunto, como a experiência tinha sido bastante agradável resolvi aproveitar mais alguns tratamentos de que a clínica dispõe. Por mim deixava lá o corpo uns dias e ia buscar quando tudo estivesse em condições, peles esticadas, depilação feita, com menos 2 ou 3 quilos, unhas feitas, enfim percebem-me não? Eu já sou bela e perfeita na minha imperfeição, seria apenas para realçar um pouco as imperfeições…

Dos vários tratamentos propostos decidi-me por uma limpeza de pele profunda “daquelas a sério” até porque oferecia outro serviço. Eu não sou diferente de ninguém, seja o que for, se é para me ser dado eu ponho-me na fila. Limpeza marcada, deixemo-nos de brincadeira e vamos lá então limpar profundamente a pele e “a sério”.

Limpeza de pele “a sério”

 Mal lá entro o cheirinho dos incensos, o som de água a correr, a musica Chill Out…Humm tão bom voltar! Isto promete mais relaxamento! Venha ele!

Tiro a roupita, meto-me na marquesa, cobrem-me com um cobertor quente, fofinho e confortável e aqui vai disto.

 Cremes de cá para lá, uns exfoliantes e eu feliz a usufruir daquela mistura de miminhos com cremes, em profunda descontração. Nesta altura eu já tinha vapor viradinho para o meu delicado rosto para abrir os poros e algo me dizia que todo aquele mimo estava a tornar-se um tanto desconfortável e já digno de sacrifício. Mas aguentei quem nem uma princesa guerreira, caladinha e firme (fazendo umas batotas de vez em quando).
Até que horror começa e daí em diante foi um autentico tormento!

Todo o relaxamento virava agora uma verdadeira tortura do século XIX e uma das experiências mais horrendas e dolorosas que já tive o azar de vivenciar.


Tortura “a sério”!!

A menina pega em pedaços de papel toalha e começa a tentar expelir todos os pontos que eu tinha no meu rosto! Ela pisava, apertava, beliscava, carregava, a certa atura eu já jurava que escorria sangue por todo o lado, pior, eu acho que ela entendeu as minhas sardas como pontos ou borbulhas castanhas e eu sentia-me totalmente desfigurada!
Os meus olhos choravam sem que eu os pudesse conter, de tanta força fazer os meus maxilares doíam assim como os dentes que eu já acreditava estarem partidos, foi um inferno!
Será que eu era a única pessoa que sofria daquela maneira numa limpeza de pele? Será que podia pedir para parar ou isso faria de mim a maior covarde e maricas de todos os tempos tendo ainda em conta que se tratava de uma simples limpeza de pele, mesmo que fosse “a sério”?


 Era uma boneca de plástico

Estava tão contraída que se me levantassem da marquesa naquele momento eu vinha na horizontal sem mexer um músculo! Era uma boneca de plástico com a cara toda vermelha a jorrar sangue!

E eu só pedia que aquilo acabasse depressa, que não havia tanta necessidade de perfecionismo! Mas para quê? Comigo não é preciso tanto, todos sabemos.

Mas a técnica não deu descanso e é certo que estive lá no total cerca de 1 e 15 minutos, mas só a massacrar-me o rosto esteve seguramente umas belas 3 horas. Garanto.


Maquinetas de tortura

Terminada a tortura com as mãos, começa a usar instrumentos! Chega com uma maquineta que dava pequenos esticões, mas não foi só a maquineta que quase me matou. A maquineta não me toca no rosto! Não, não! Colocam primeiro uma espécie de toalhete do rabo dos bebés (mas seco) que me deixou praticamente sufocada e toca de rolar a tal maquineta em cima do toalhete que me deu uns verdadeiros esticões em toda a parte do meu rosto!

Eu juro que não matei ninguém!

WTF?? Não há sossego no raio da clinica? Tão zen, tão mindfulness, tão supostamente relaxante e estou literalmente a ser torturada? Eu que nem fiz mal a ninguém? Eu só escolhi o tratamento que oferecia outro, mas não fui eu que fiz a campanha! Eu nem me lembro de ter morto alguém! Será que era ajuste de contas comigo? Não sei responder a nada disto, mas posso garantir que me senti muito, mas muito perseguida! Tal filme de terror!

Depois desta tortura comecei novamente a ser mimada como deve de ser, colocaram-me uns cremes e umas máscaras que aliviaram o fogo que sentia na pele. Nesta altura eu não me queria ver ao espelho, pensei que teria de ficar enclausurada em casa e como faria quando tinha mesmo de sair de casa. Um lenço a tapar a cara? Uma burka? Uma máscara de médica?
Estava eu nestes pensamentos começo a levar com um vento fresco, saído de um tubinho diretamente para a cara, tal como quando esvaziamos um balão, dá para entender? A sensação era essa, mas fresca.

O meu rosto de volta! É meu!

E finalmente fiquei livre daquela marquesa que ficou para mim marcada como a da tortura onde não pretendo novamente deitar-me mesmo com cobertores fofinhos e quentinhos! Muito a medo fui ver-me ao espelho e afinal a minha cara estava lá, igual e linda como sempre! Ainda mantinha as sardas! Quase chorei de emoção, pensei já a ter perdido…

Tenho-vos a dizer que é experiência para não se repetir enquanto a memória não me pregar partidas. Memória, confio em ti ãh?

Da primeira vez andei em algodão doce, desta vez foi muito, muito azedo, estaria fora da validade certamente!

Mas fiquei muito aliviada, aquilo doeu como pouco mas fiquei com a mesma cara e mesmo com dores excruciantes aguentei até ao fim!
Orgulho!

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