Uma viagem – do berço de palha à coroa

Falo-vos de viagens. Não das que necessitam de meios de transporte, mas das de quem nasce num berço de palha e viaja (sem mérito próprio na maioria das vezes) para uma coroa! São viagens não tão raríssimas assim. Não sei se podemos chamar de novo-riquismo a esta viagem, mas eu autorizo-me para tal (o blog é meu, eu é que sei!). Certo é, que este fenómeno ainda pouco explorado, me desperta curiosidade.


A viagem do berço de palha à coroa

Vou então contar-vos a minha versão desta viagem e o que penso serem os mecanismos para se dar o nascimento do novo-riquismo. Vamos supor que há uma mãe que um dia se viu desesperada com uma particularidade do seu próprio filho. Ora ninguém precisa de ser mãe para entender que não seria fácil lidar com tal situação. Com muito boa vontade (ou não), cria uma associação para juntar os pais de crianças singulares, de forma a que se apoiassem uns aos outros. Nisto até eu apoio! A coisa começa cor-de-rosa, linda, transbordando solidariedade, e começou a crescer, a crescer… Como o pé de feijão do João, percebem? Mas como aqui era uma mãe, vamos dar-lhe o nome de Cruella. Então o pé de feijão cresceu imenso até chegar a um palácio, lá bem no cimo (bem acima do berço de palha onde nasceu) e onde havia um enorme tesouro!


O palácio recheado de um espólio magnífico

Um tesouro! Quem diria que nesta viagem se veria um palácio recheado de um espólio magnífico? Parece difícil entender, mas na minha versão da viagem isso aconteceu! Tal qual o João, a Cruella quis explorar todo o palácio em busca de mais tesouros! Este palácio era mais pacífico do que o do João. Aqui não havia gigantes, haviam súbditos que cumpriam as ordens de Cruella e não se queixavam do trabalho nem do mau feitiozito que começava a aparecer nela com o deslumbre de novos tesouros. A Cruella adorava subir o pé de feijão, mas de cada vez que o fazia ficava cansada e de roupa estragada. A viagem era longa, complexa e cara, então foi usando parte do tesouro para compensar as suas “perdas”. Para se sentir melhor nas dolorosas viagens e andando com um apetite esquisito, chegou a levar 230€ em gambas para ir petiscando pelo caminho.


A galinha de ovos de ouro?

Durante todas estas viagens nunca calhou de encontrar uma galinha de ovos de ouro. Mas o certo é que ela tinha o ouro sempre a aumentar. Como? Porque lhe enchiam o palácio de tesouros, que por principio pertenceria às crianças singulares bem como às suas famílias. Mas caramba! Quem fazia as duras viagens era ela! Ela lá tinha culpa de que os “donativos” fossem parar tão alto?


A coroa que marcava a sua soberania e nobreza

Chegou uma altura em que a Cruella, nascida num berço de palha e tendo um filho com uma particularidade que a deixou em sofrimento, já não tinha mais coração (nem educação já agora). Toda a roupa que tinha de comprar a cada viagem (porque se estragava), todas as viagens que eram encarecidas pela subida, pelos seus desejos em nada singelos. Pela estatura social (ganha com tantas visitas e encontros com quem lhe podia enriquecer o tesouro e com o sorriso mais falso de que há memória); transformou-a numa mulher, mãe, com um desvio de personalidade grave. Ela havia subido à coroa que marcava a sua soberania e nobreza perante os outros e já não sabia viver sem ela. Sem saber como a usar, tornou-se uma “pessoa” preconceituosa, vaidosa. Uma altivez que não lhe pertencia, pensando estar acima de tudo e todos.


E o filho? Pois, o filho…

E vocês perguntam então e o filho? Pois, o filho… O filho parece ter crescido com uma mãe delirante e acabou por herdar o seu descrédito. Uma educação como péssimo exemplo de cidadania que põe em causa a sua própria honra, a capacidade mental e social. A tara dele são gambas…

Gambas

Comments

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    Author
    Minorka

    Prepara o estômago, isto está só a começar.
    Quando o baú dor todo aberto aí sim é que vão ser “gómitos” uns atrás dos outros!

    1. Post
      Author
  3. Edmar

    Vi a reportagem e fiquei…estarrecidinho com tão singular figura.
    Ave deveras raríssima!!
    É por estas e por outras que eu já não dou um cêntimo sequer para as ditas obras de solidariedade e beneficiência.
    É demasiada imoralidade e falta de escrúpulo…
    Dá-me “gómitos”!

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